Como levar o aluno a compreender o que lê

O Indicador do Alfabetismo Funcional 2011-2012, do Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa, mostra que apenas 1 em cada 3 brasileiros com ensino médio completo é de fato alfabetizado, e 2 em cada 5 com formação superior têm nível insuficiente em leitura. Estes dados são preocupantes, pois indica que boa parte da população simplesmente não entende o que lê!

Os quatro níveis de alfabetização

AnalfabetoNão consegue realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases, ainda que consiga ler dados familiares (de telefone, preços, nomes, cartazes, etc.).
Nível rudimentar de leituraLocaliza uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta).
Alfabetizado funcional (nível básico de leitura)Lê e compreende textos de média extensão, localiza informações mesmo que seja preciso fazer pequenas inferências.
Nível pleno de leituraLê textos mais longos, analisando e relacionando suas partes, compara e avalia informações, distingue fato de opinião, faz inferências e sínteses.

Fonte: Inaf

Deste modo é tarefa do professor – não apenas o de Língua Portuguesa – através de estratégias, levar o aluno a entender o que lê. Mas então chegamos ao grande problema: Como levar o aluno a compreender o que lê? Não é uma tarefa fácil e com soluções mirabolantes. Acredito que a chave esteja, em primeiro lugar, na paciência do professor, pois não é nada fácil enfrentar uma sala de aula com 42 alunos e alto índice de indisciplina – comum nas escolas estaduais.

Em primeiro lugar, um pouco de teoria. Para o se entender o que lê é necessário construir o sentido do que se está lendo. Imagine você, enquanto professor, lendo um texto de uma área totalmente desconhecida, com a área de informática por exemplo. Ao se ler um texto sem construir o sentido, temos apenas a decodificação do que está escrito, pois afinal é Língua Portuguesa. Desta forma se for solicitado a explicação do que foi lido, o que conseguiríamos expôr do que acabamos de ler? BAHKTIN (1988, p.85) afirma que as relações sociais ganham sentido pela palavra e a sua existência se concretiza no contexto da enunciação. Os sentidos assumidos pela palavra são múltiplos, não existindo desta forma palavras vazias

Vamos a um exemplo?

“A Figura 1 representa que uma instância da Entidade A está associada a zero (opcional) ou mais instâncias da Entidade B. Por outro lado, uma instância da Entidade B está associada a uma (obrigatoriedade), e somente uma, instância da Entidade A. A este par de elementos chama-se cardinalidade, onde o primeiro elemento indica a participação (opcional ou obrigatório) do relacionamento, enquanto o segundo representa o grau do relacionamento (um ou muitos).”

Uma simples leitura deste texto será uma mera decodificação do que está escrito. Para se entender de fato o que está escrito – fazer sentido – é necessário que se tenha conhecimentos prévios do assunto. Temos no texto palavras chaves: instância e entidade. A partir do entendimento destas palavras é possível começar a entender do que se trata. Não importa quantas vezes você leia o trecho, o resultado será o mesmo: continuará sem entender!

Depois de tudo isto, como podemos ajudar o nosso aluno a entender bem o que lê? Abaixo algumas estratégias que encontrei folheando a revista Nova Escola (Março de 2003, n°160, pg. 49). São sugestões da professora Heloísa Cerri Ramos.

  • Ter um objetivo bem definido para desenvolver com os estudantes.
  • Escolher textos à altura do repertório dos alunos para que i diálogo com a leitura seja produtivo.
  • Favorecer a participação do aluno por meio de perguntas e situações em que ele tenha de fazer uso de estratégias que lhe facilitem a compreensão do texto.
  • Propor trabalhos em que os alunos precisem ler para seguir instruções, revisar a própria escrita, praticar a leitura em voz alta e memorizar.

Bem, como disse são apenas sugestões. Não existe mágica e sim trabalho, muito trabalho!

Caso você tenha uma experiência relacionada a este tema e deseja compartilhar conosco, entre em contato!

Grande abraço,

Samuel Santos

Referências:

Revista Língua Portuguesa Ano 8, n° 83, 2012

BAKHTIN, M.(1988) Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec

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